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RSSMinistério da Justiça explica concessão de vistos a haitianos
Senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também cobrou que o governo federal ajude o governo amazonense a dar assistência social para a população de cerca de 4 mil haitianos que vivem no estado.
Porto Príncipe - A Comissão de Relações Exteriores do Senado e representantes do governo federal se reúnem nesta terça-feira para debater a concessão de vistos de permanência a haitianos que migraram para o Brasil nos últimos meses.
O secretário executivo do Ministério da Justiça, Luiz Paulo Barreto, assumiu o compromisso de receber os senadores e convidar representantes de outros ministérios ligados ao assunto para a reunião. Diplomatas brasileiros também irão em missão ao Peru, por onde os haitianos fazem rota para chegar ao Brasil, a fim de tratar de ações conjuntas para mitigar o problema.
Na segunda-feira, Barreto foi ao Senado dar explicações sobre o tema. Segundo o secretário, o governo brasileiro tomou a decisão de conceder os vistos para residência e trabalho a fim de evitar que eles se envolvam com "atividades ilícitas" e que a medida não representa uma abertura na política de imigração.
- Essa é uma medida exclusiva ao Haiti, que não temos com outros países - explicou o secretário executivo, que participou de audiência pública na Comissão de Relações Exteriores.
Na opinião de Barreto, essa é a melhor medida para ajudar os imigrantes que saíram de um país devastado por um terremoto e atingido por uma série de doenças. Apesar de garantir que o governo brasileiro não está interessado em estimular uma "diáspora" do Haiti, o secretário esclareceu que o Brasil também não tem tradição de promover deportações em massa.
O estabelecimento de um canal de imigração, junto com a regularização desses imigrantes, sempre pareceu ao governo brasileiro a melhor solução - disse.
Os senadores do Amazonas, para onde a maior parte dos haitianos tem ido após entrar no Brasil, cobraram de Barreto que o governo federal ajude o estado a receber os imigrantes. O senador Eduardo Braga (PMDB-AM) lembrou que os haitianos pagam caro aos "mafiosos" que os trazem, e ficam devendo a essas pessoas. Com isso, os parentes que ficaram no Haiti acabam reféns dessas dívidas e aguardam também uma oportunidade de vir para o Brasil.
- Cada visto que é concedido para um haitiano que entra no Brasil está sendo concedido para a família desse haitiano também - disse o senador. Braga lembrou que os estados por onde os imigrantes têm entrado são os mais pobres e não podem ficar responsáveis por eles.
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) também cobrou que o governo federal ajude o governo amazonense a dar assistência social para a população de cerca de 4 mil haitianos que vivem no estado.
- Não precisa o governo do Amazonas pedir amparo. A questão não é de um governo de um estado e sim do Estado brasileiro, que deveria se antecipar para ajudar essas pessoas - declarou.
Ela também demonstrou preocupação com a chegada de novos imigrantes ao seu estado, o que poderia piorar as condições sociais deles.
- Será que não chegarão outros? E como vamos atender a outros? Precisamos de uma comissão interministerial que dê amparo a essas pessoas e os coloque no mercado de trabalho - cobrou a senadora.
Também presente à audiência pública, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) lembrou que o Brasil já passou por dificuldades econômicas que levaram 3 milhões de brasileiros a procurar emprego no exterior. Segundo Cristovam, é hora dos brasileiros ajudarem os "refugiados sociais".
- Se fosse um golpe militar nós abriríamos as portas com o argumento de que eles seriam presos ou mortos. Mas eles estão presos na pobreza e morrendo pelas dificuldades - disse.
Luiz Paulo Barreto explicou que os haitianos não podem receber vistos como refugiados porque existem delimitações claras no direito internacional sobre essa condição. Segundo o secretário executivo do Ministério da Justiça, eles precisariam ser perseguidos em seu país ou estar fugindo de um conflito armado, o que não é o caso.
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